QUEM LÊ, ATENDA
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QUEM LÊ,
ATENDA
Quem
lê, atenda.
Jesus
(Mateus, 24:15.)
Assim
como as criaturas, em geral, converteram as produções sagradas da Terra em
objeto de perversão dos sentidos, movimento análogo se verifica no mundo, com
referência aos frutos do pensamento.
Frequentemente
as mais santas leituras são tomadas à conta de tempero emotivo, destinado às
sensações renovadas que condigam com o recreio pernicioso ou com a indiferença
pelas obrigações mais justas.
Raríssimos
são os leitores que buscam a realidade da vida.
O
próprio Evangelho tem sido para os imprevidentes e levianos vasto campo de
observações pouco dignas.
Quantos
olhos passam por ele, apressados e inquietos, anotando deficiências da letra ou
catalogando possíveis equívocos, a fim de espalharem sensacionalismo e
perturbação? Alinham, com avidez, as contradições aparentes e tocam a
malbaratar, com enorme desprezo pelo trabalho alheio, as plantas tenras e
dadivosas da fé renovadora.
A
recomendação de Jesus, no entanto, é infinitamente expressiva.
É
razoável que a leitura do homem ignorante e animalizado represente conjunto de
ignominiosas brincadeiras, mas o espírito de religiosidade precisa penetrar a
leitura séria, com real atitude de elevação.
O
problema do discípulo do Evangelho não é o de ler para alcançar novidades
emotivas ou conhecer a Escritura para transformá-la em arena de esgrima
intelectual, mas, o de ler para atender a Deus, cumprindo-lhe a Divina Vontade.
NOSSA REFLEXÃO
A
leitura do Evangelho é fundamental para que o leitor se instrua e tome decisões
morais a favor de sua (e demais que convivem com ele) evolução espiritual.
Cada
religião cristã tem sua maneira de desenvolver estudos e práticas evangélicas.
No caso
do Espiritismo, o espírita tem um arcabouço de ideias interpretativa sobre o
que Cristo nos falou há dois mil anos. Com as obras básicas da Codificação
Espírita, o estudioso, que deve ser praticante, pode se desenvolver espiritualmente
nesta existência.
Para os
espíritas, o versículo de Mateus, no caput desta mensagem, ora refletida, tem
um significado importante traduzido em uma máxima kardequiana: Reconhece-se
o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega
para domar suas inclinações más[1].
Este movimento
se dá no contato direto com os semelhantes, pois, só assim, teremos
oportunidade de exercitar a transformação moral e se esforçar em domar nossas
más inclinações.
A perfeição está toda, como disse o Cristo, na prática da caridade absoluta; os deveres da caridade alcançam todas as posições sociais, desde o menor até o maior. Nenhuma caridade teria a praticar o homem que vivesse insulado. Unicamente no contato com os seus semelhantes, nas lutas mais árduas é que ele encontra ensejo de praticá-la. Aquele, pois, que se isola priva-se voluntariamente do mais poderoso meio de aperfeiçoar-se; não tendo de pensar senão em si, sua vida é a de um egoísta (Um Espírito Protetor)[2].
Então,
que ao ler o Evangelho do Cristo e sua interpretação kardequiana, fiquemos
muitos motivados em praticar os ensinos do Cristo.
Domício
Segue uma
poesia, de minha autoria, assinada com um pseudônimo, sobre a dificuldade de
atender aos preceitos evangélicos espíritas.
A
DIFICULDADE DE MUDAR
L. Angel 27/09/2018
Por que é difícil mudar,
Se isso é o que queremos?
É que o nosso homem velho está a nos
cobrar
Fidelidade aos comportamentos que
outrora tivemos.
Assim, o bem que eu quero fazer,
Esse, eu não faço.
Mas o mal que não quero cometer,
Eu o realizo, não o rechaço*.
O esforço da reforma íntima
É o que nos torna verdadeiros cristãos,
Neste planeta de prova e expiação.
Mas desejar ser uma alma boníssima
É um passo para a perfeição espiritual,
Nossa meta, nosso ideal.
·
Paulo
(Romanos 7:19)
[1] Vide
dissertação completa de A. Kardec, intitulada “Os bons espíritas” em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XVII (Sede Perfeitos), Item 4.
[2]
Vide em Instrução dos Espíritos, a mensagem o Espírito Protetor, intitulada “O
Homem no Mundo”, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XVII (Sede
Perfeitos), Item 10.
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